Indústria 5.0 na flexografia: marketing ou desconexão com a realidade?

A indústria flexográfica carece, como nunca antes na sua história, de mão-de-obra qualificada.

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flexografia abflexo

Há alguns dias, a Associação Brasileira de Flexografia, a ABFLEXO (agora “de impressão digital” e flexografia) realizou um evento online com a temática da indústria 5.0. para o setor.

Nos dias que antecederam o evento, recebemos uma série de mensagens de leitores ou clientes de consultoria e treinamentos, questionando se a temática seria uma dissonância cognitiva da entidade, uma “jogada de marketing” ou se as suas empresas estariam, de fato, tão míopes à nova realidade tecnológica que se avizinha.

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Embora eu seja crítico ferrenho do papel das associações – algumas mais do que outras – no setor gráfico e de embalagens, consigo entender as motivações da entidade em trazer aos seus seguidores uma visão de futuro e preencher com temas interessantes um certo número de horas que, principalmente em eventos online, é sempre uma tarefa árdua prender a atenção dos telespectadores (em meio a tantas potenciais distrações).

Dissonância cognitiva é definida como um estado de desconforto emocional causado pela percepção de que certos conteúdos – opiniões, comportamentos, crenças etc. – estão em contradição. É o caso daquela pessoa que sabe que o açúcar em demasia faz mal à saúde, mas gosta muito de doces e come guloseimas adocicadas todos os dias.

Para que o tema da indústria 5.0 fosse, de fato, algo que “soa contraditório”, é preciso duas coisas: conhecer o mercado e estar em contato diário com as empresas do setor.

No contato diário, é possível verificar que – em termos de Brasil e, mais gravemente, em termos de indústria gráfica – é impossível tratarmos a indústria 4.0 ou 5.0 sem antes tratarmos do “operador 0.4 ou 0.5”.

A indústria flexográfica carece, como nunca antes na sua história, de mão-de-obra qualificada. As empresas continuam investindo pouco ou quase nada nos processos de contratação, treinamento, retenção, motivação e desenvolvimento de seu talento humano.

E, mesmo com o avanço indiscutível, gradual e exponencial das tecnologias “smart”, as fábricas não serão operadas por robôs ou softwares antes de pararem por falta de pessoal treinado. Não acredite em mim, saia e veja o mundo real por si.

O próprio conceito da Indústria 5.0 foi cunhado justamente por conta das transformações sociais e tecnológicas, aceleradas inclusive durante a pandemia (e em virtude da Agenda 2030) rumo à Sociedade 5.0 – uma nova proposta de organização social em que tecnologias como Big Data, Inteligência Artificial e a Internet das Coisas são aplicadas com foco único e específico nas necessidades humanas.

O elemento humano volta à equação – com a combinação homem e máquina – que, idealmente, traria os benefícios da precisão e rapidez da automação industrial total, com as habilidades críticas e cognitivas dos seres humanos, liderando os processos dos negócios.

Por que o Brasil não conseguiu decolar na migração nem à terceira, tampouco à quarta revolução industrial?

Precisamente por relegarmos a qualificação das pessoas. Numa palestra em que tive a oportunidade de assistir, do atual diretor da Escola Senai Theobaldo de Nigris em um evento de inovação conjunto com o Cimatec, ouvi que “faltam engenheiros, falta infraestrutura e, especialmente, falta a mentalidade”.

Pois bem. Dar foco à carroça, na frente dos bois, é um claro sinal de dissonância cognitiva.

Antes de dominar a Galáxia, os Stormtroopers precisam treinar pontaria e o engenheiro responsável pela Estrela da Morte (geonosianos a mando do Arquiduque Poggle, o menor), ter mais conhecimento sobre os pontos fracos do projeto.

A flexografia nacional precisa passar pela primeira revolução e a mais importante de todas: a do conhecimento.

Leia mais em nosso blog:

O elemento humano e os processos de capacitação

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