ProjetoPack: O que aprendemos na primeira entrevista do programa PackCast com a Comexi do Brasil?

Estreamos o PackCast entrevistando o diretor geral da Comexi do Brasil, Marc Boadas.

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Na última semana, estreamos um novo formato de conteúdo: o podcast. E aproveitamos o vídeo da entrevista para também introduzir um webcast no nosso canal do YouTube.

O PackCast veio para tratar dos temas que acabam ficando ou total, ou parcialmente de fora das seis edições impressas e online da ProjetoPack em Revista. Portanto, falaremos majoritariamente de embalagens, rótulos e sistemas de impressão.

Estreamos o PackCast entrevistando o diretor geral da Comexi do BrasilMarc Boadas.

A Comexi ocupa hoje um lugar de destaque na venda de impressoras, laminadoras e cortadeiras para embalagens flexíveis em todo o mundo, com uma de suas fábricas na cidade de Montenegro, RS.

A “Construções Mecânicas Xifra”, fundada em 1954, tem grande participação no desenvolvimento dos sistemas e processos de fabricação de embalagens flexíveis, com algumas disrupções importantes como a impressora híbrida offset CI8, que adota o conceito de tambor central da flexografia, mas imprime em offset EB materiais fílmicos variados.

Este bate-papo interessante com Marc demonstrou que o mercado de máquinas gráficas está mudando – algumas destas mudanças são sutis, quase imperceptíveis, e outras bastante radicais e notórias – e suscita a questão de qual será o impacto, a médio e longo prazo, desta transformação aos clientes convertedores e aos próprios donos das marcas.

Em síntese, aprendemos que:

  • A linha de impressoras rotogravura, no caso da Comexi, foi descontinuada. Dentre inúmeros fatores está a dinâmica das tiragens cada vez menores e maior segmentação de produto, face à um avanço tecnológico da flexografia;
  • A offset para materiais flexíveis, no caso específico da Comexi, segue como uma aposta forte da companhia, como opção aos custos crescentes de pré-impressão e formatura flexográfica;
  • Assim como todos os grandes players de máquinas, há movimentos na área de impressão digital. A Comexi faria um lançamento na Drupa desta plataforma, mas com o cancelamento da feira, teremos que aguardar mais algum tempo;
  • As indústrias de máquinas tem, como uma de suas competências mais fundamentais (na verdade, um fator de sucesso) a gestão da cadeia de suprimentos. No caso da Comexi, há uma complicação adicional: a de gerir localmente os fornecedores com base em especificações e parâmetros de aceite internacionais;
  • Desenvolvimento e inovação são o core da empresa, seja verticalmente como em ecossistemas colaborativos. A ideia da Comexi é aportar cada vez mais inteligência no equipamento, interoperabilidade e comunicação entre as máquinas, para que o próprio equipamento ajude o cliente a tomar decisões no chão-da-fábrica;
  • Tecnologias como cura por feixe de elétrons e impressão base água para filmes não foram adiante no Brasil, em boa parte por conta da legislação. Com a nova realidade e a premência das questões ambientais, tudo deve voltar à pauta, com maior probabilidade para a impressão base água;
  • A pandemia acelerou uma série de mudanças sociais, culturais e tecnológicas. Durante o período crítico de quarentena na Colômbia, a Comexi executou a instalação de um equipamento complexo de forma totalmente remota. Espera-se que a adoção de suporte remoto ganhe maior relevância daqui em diante;
  • Um portfólio amplo – com extrusão, impressão, laminação e corte – ajuda os players a fecharem novos negócios. A Comexi resolveu a parte da extrusão de forma simbiótica com a alemã Reifenhauser. Opinião: não nos espantaria uma fusão entre as empresas no futuro;
  • Apesar de estarmos vivenciando a menor taxa de juros da história, o spread bancário ainda torna o financiamento restritivo a uma parcela relevante das empresas. É imprescindível trabalhar esta questão para criar um círculo virtuoso que fomente os investimentos e a reindustrialização do país;
  • Assim como a venda de software, alguns fabricantes de máquinas digitais trabalham seus equipamentos no modelo As A Service. Para máquinas analógicas, isso não é impossível, mas é pouco provável em vista do montante de investimento necessário para tal. Mas há, de qualquer maneira, espaço para inovar na forma de vender e cobrar dos clientes pelo equipamento. A Comexi espera mostrar algo novo na comercialização de spare parts em breve;
  • A gama expandida deve proliferar ainda mais no Brasil, muito embora ainda há um hiato enorme de produtividade ou mesmo de investimento, uma vez que o parque industrial de impressão banda larga ainda é eminentemente “base engrenagem”.

Ao fim do papo, perguntamos ao diretor da Comexi se ele acreditava ser possível extrair uma falha comum de gestão que fez com que tantas indústrias de máquinas gráficas perecessem no Brasil.

Com todo o receio de generalizações, a resposta que obtivemos foi algo como “as indústrias de máquinas começaram na base da paixão dos donos pelos seus projetos”. Isso foi uma frase emblemática demais. Talvez o mercado de máquinas agora não permita mais uma gestão passional, e sim mais racional e voltada aos números. Não há mais margem para errar na estratégia de porfólio, precificação e supply chain.

Se você prefere escutar a entrevista, corre lá e assina o podcast PackCast no link:

Fonte:

Aislan Baer Fundador e CEO da ProjetoPack & Associados; Co-fundador da Inovagraf; Especialista em impressão e embalagens.

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