O racismo, as embalagens e a reparação histórica

Donos de marcas como a PepsiCo começaram a acelerar uma “correção histórica” das embalagens e um remodelamento (ou extinção) de marcas de origem racista.

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Sempre falamos em nossas palestras que a embalagem é uma mídia poderosa. E como diria McLuhan, a mídia é a mensagem.

Por pelo menos 130 anos, o xarope e o mix para panquecas da Tia Jemima esteve presente nas mesas dos lares americanos, na aprazível hora do breakfest. Atrás do sorriso mecânico da tia Jemima, estaria também o retrato secular da escravidão e opressão aos afro-americanos.

Depois do lamentável episódio do assassinato por sufocamento de George Floyd, estadunidense, negro, desarmado e absolutamente imobilizado por policiais, uma onda de protestos varreu – e ainda varre os quatro cantos do globo.

A sua morte desencadeou não apenas protestos e amargas lembranças de crimes e injustiças parecidos, onde invariavelmente os assassinos ou agressores foram inocentados, como também culminou no movimento “Black Lives Matter”.

Mas outro impacto, mais lateral, começou a ser percebido no nosso setor de embalagens.

Donos de marcas como a PepsiCo começaram a acelerar uma “correção histórica” das embalagens e um remodelamento (ou extinção) de marcas de origem racista.

Há poucos dias, a Mrs. Butterworth’s, a Cream of Wheat e a própria Uncle Ben, da Mars, seguiram o mesmo caminho.

Temos ouvido as vozes dos consumidores, especialmente da comunidade negra em todo o mundo e reconhecemos que agora é a hora certa para dar uma nova identidade visual à marca Uncle Ben, algo que faremos”, disse Caroline Sherman, porta-voz da Mars.

No fim do século 19, muitas agências começaram a comodificar o racismo para torná-lo lucrativo. E o estopim de George Floyd talvez tenha potencializado em muito a correção destas injustiças, estampadas no design de muitas embalagens tradicionais.

No Brasil, a Bombril, fabricante de esponjas de aço e outros produtos de limpeza e cuidados com o lar anunciou este mês a descontinuidade da marca “Krespinha”, em meio a acusações de racismo nas redes sociais. Não será a primeira por aqui e nem a última.

Outros segmentos da população que sofrem preconceito, a exemplo da comunidade LGBTQI+ devem, gradualmente, atentar e cobrar mais atenção por parte das marcas para com as suas embalagens, a única mídia de massa que é intrínseca ao produto e, pelo menos por ora e diferentemente de um anúncio publicitário, não pode ser ignorado ou bloqueado.

Na sua opinião, que outras embalagens ou marcas carecem de uma remodelagem, à luz da ética, moral, da empatia e do respeito? Conta pra gente!

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Fonte:

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