A polpa de celulose moldada “moldará”​ o mercado de garrafas?

Uma empresa, a "The Paper Bottle Company" (ou Paboco, para simplificar) se propôs em ajudar os fabricantes e distribuidores a reduzir os plásticos de uso único mediante o desenvolvimento de garrafas produzidas a partir de fontes renováveis (cana de açúcar), ao invés dos plásticos oriundos dos combustíveis fósseis.

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De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), cientistas estimam que oito milhões de toneladas métricas de plástico – o que equivale a aproximadamente 20.000 aeronaves de carreira em termos de peso bruto – chega aos oceanos a cada ano.

Uma empresa, a “The Paper Bottle Company” (ou Paboco, para simplificar) se propôs em ajudar os fabricantes e distribuidores a reduzir os plásticos de uso único mediante o desenvolvimento de garrafas produzidas a partir de fontes renováveis (cana de açúcar), ao invés dos plásticos oriundos dos combustíveis fósseis.

BillerudKorsnäs, um desenvolvedor de embalagens de papel iniciou este projeto em meados de 2013, e tem recebido empresas de pesquisa e líderes da indústria de embalagens como a Avantium e a ALPLA.

O projeto, anunciou orgulhosamente em outubro do ano passado, que as empresas Coca-ColaL’Oreal e a Absolut somaram forças ao time pró-papel. A tradicional cerveja Carlsberg, uma das mais antigas colaboradoras do projeto, sintetizou a visão em um press release no ano passado:

Nós estamos trabalhando para desenvolver a primeira garrafa de papel produzida a partir de fibras celulósicas, 100% bio e totalmente reciclável.

Estas novas garrafas, feitas de um polímero sintetizado a partir de plantas apelidado de “PEF” espera-se, sejam totalmente recicláveis e se degradem “naturalmente” dentro de um ano. A empresa afirmara à época que as novas garrafas de papel estariam comercialmente disponíveis até 2023, mas os primeiros projetos viáveis estão saindo da prancheta muito antes disso.

Christina Carlsen, diretora técnica da Paboco diz que “Ser parte dessa jornada desde o começo, inventando a tecnologia e construindo a primeira máquina para a produção de garrafas de papel é a chance definitiva de fazer a diferença e criar um mundo melhor e mais sustentável às gerações futuras”. Como a nova tecnologia poderá acelerar a pressão regulatória pelo banimento dos plásticos de uso único é algo ainda incerto.

O vidro é um material fantástico para garrafas. Os fenícios que o digam. Mas é muito pesado. Parte da promessa das garrafas de papel é justamente a sua leveza. Mas ainda há muitas perguntas a serem respondidas, projeto a projeto, para as garrafas de papel:

  • As novas garrafas de papel vão requerer mudanças nas atuais linhas de envase dos clientes? Estas mudanças serão “sustentáveis” assim como as garrafas?
  • Como os químicos que compõe cada bebida vão reagir / interagir com as camadas de barreira da garrafa? Haverá alterações organolépticas em produtos, considerando as diferentes práticas e situações de consumo?
  • Qual será a resposta do consumidor em termos de experiência multissensorial? (lembremos das constantes queixas de consumidores para o amolecimento gradual da fibra moldada em canudos de papel)
  • A nova garrafa responderá integralmente aos parâmetros de design da marca?
  • Formatos deverão ser adaptados? Haverá restrição de formatos? (ou melhor, quando os formatos disponíveis responderão integralmente às necessidades dos donos das marcas)
  • As possibilidades de formato disponíveis acomodarão os volumes tradicionais das bebidas em cada uma das categorias de produto?
  • Qual a natureza e grau das emissões de componentes orgânicos voláteis (VOC’s) das garrafas de papel, quando comparadas a outras alternativas?

Não há dúvidas que alto grau de interesse da indústria e da sociedade, bem como a relevância das marcas apoiadoras do projeto apontam a velocidade com que as garrafas de papel ganharão escala. A propósito: teremos garrafa de papel na Johnnie Walker, feita por um player novo no mundo das garrafas de papel: a Pulpex.

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Resta ver a contra resposta da indústria de garrafas plásticas, um setor que, estima-se, faturará até 2025 mais de 225 bilhões de dólares em todo o mundo.


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Aislan BaerFundador e CEO da ProjetoPack & Associados; Co-fundador da Inovagraf; Diretor da IDEAlliance Latin America

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